Saw palmetto (Serenoa repens): o mais presente nas prateleiras, sem resultado
A revisão Cochrane CD001423, atualizada em 2023, reuniu 27 ensaios com 4 656
homens de 52 a 68 anos de idade média. Concluiu que o saw palmetto, isolado ou
combinado com outras plantas, não melhora os sintomas urinários nem a qualidade
de vida face ao placebo — nem em 3 a 6 meses, nem em 12 a 17 meses. Ao dobro e ao
triplo da dose, o resultado foi o mesmo. Não houve efeitos adversos
significativos.
A dose estudada é de 320 mg por dia. Em Portugal, a forma vendida como
medicamento com receita é o Permixon, cápsulas de 160 mg, uma duas vezes por
dia. As diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU, 2023) notam que o
comité de plantas medicinais da EMA só reconhece «uso bem estabelecido» ao
extrato obtido com hexano, e que extratos feitos por outros métodos não devem
ser tratados como equivalentes. A análise completa está em saw palmetto: o que
dizem os 27 ensaios.
Beta-sitosterol: a melhor evidência disponível, mas antiga
A revisão Cochrane CD001043 (Wilt et al.) reuniu quatro ensaios duplamente cegos
e concluiu que os beta-sitosteróis melhoram os sintomas urinários e o fluxo em
homens com hiperplasia ligeira a moderada, com boa tolerância.
A ressalva importa: a revisão é de 1999 e baseia-se em quatro estudos; a do
saw palmetto é de 2023 e reúne 27. Comparar as conclusões sem referir esta
diferença seria enganador.
Há também um obstáculo legal: a EFSA rejeitou, em 2010, a alegação que ligava
os esteróis vegetais ao tamanho normal da próstata e à micção normal. A única
alegação autorizada para esteróis vegetais diz respeito ao colesterol, a partir
de 0,8 g por dia.
Pygeum africanum: evidência moderada
A meta-análise Cochrane CD001044 (Wilt et al., 2002), com 18 ensaios, mostrou que
os homens que tomaram Pygeum tiveram cerca do dobro da probabilidade de
relatar melhoria dos sintomas face ao placebo, com menos idas noturnas à casa de
banho e melhor fluxo. A revisão descreve o efeito como alívio moderado, bem
tolerado e mais barato do que muitos medicamentos. Também aqui a data conta:
2002.
Sementes de abóbora: a forma muda o resultado
O ensaio GRANU acompanhou 1 431 homens entre os 50 e os 80 anos durante 12 meses:
| Grupo |
Resultado no IPSS |
| semente de abóbora inteira, 5 g duas vezes por dia |
redução clinicamente relevante face ao placebo |
| extrato de semente, 500 mg duas vezes por dia |
sem diferença face ao placebo no critério principal |
| placebo |
— |
A maioria das cápsulas vendidas contém extrato, não semente inteira — a forma
que, neste ensaio, não se distinguiu do placebo. Quem quiser seguir o que teve
resultado tem de comer as sementes; o resto do que se estudou à mesa está em
licopeno, tomate e o resto da alimentação.
Um ensaio separado, com 73 participantes, comparou o óleo de semente de abóbora
com a tansulosina (BMC Urology, 2021). É um estudo pequeno, que não substitui o
GRANU.
Urtiga (Urtica dioica): a parte da planta conta
Existe alguma evidência de alívio dos sintomas urinários, sobretudo com extrato
de raiz. É modesta e não sugere redução do tamanho da próstata: a EMA classifica
a raiz de urtiga como planta de uso tradicional para estes sintomas, a usar só
depois de o médico afastar doença grave. Um rótulo que
diga só «urtiga», sem indicar raiz ou folha, não permite saber o que se está a
comprar.
Tribulus terrestris: não é para a próstata
Aparece em várias fórmulas «para a próstata», mas não tem evidência clínica
consistente nesta área. A literatura sobre a planta diz respeito à função sexual
e à testosterona, e um estudo de 2019 não encontrou efeito consistente sobre a
testosterona.
Licopeno: nem confirmado, nem excluído
Uma revisão sistemática de 8 ensaios sobre licopeno e hiperplasia benigna,
publicada no NCBI Bookshelf, não encontrou redução significativa da doença numa
meta-análise de 4 estudos (risco relativo 0,95). Os autores concluem que não é
possível apoiar nem refutar o uso de licopeno. Na alimentação, molhos e purés de
tomate com azeite aumentam a absorção do licopeno mais do que o tomate pouco
processado, segundo um estudo de 2021 na revista Nutrients.
Zinco, vitamina D e selénio
O zinco tem alegações de saúde autorizadas na União Europeia sobre fertilidade e
níveis normais de testosterona — nenhuma sobre sintomas urinários ou tamanho da
próstata. Cuidado com a soma: 15 mg de zinco correspondem a 150% do valor de
referência diário, e quem junta um multivitamínico a um complexo «para a
próstata» pode duplicar sem dar por isso.
A vitamina D e o selénio não têm alegações autorizadas relacionadas com a
próstata. Um défice de vitamina D resolve-se com uma análise ao sangue e
indicação médica, não com um frasco «para a próstata».