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Prostatite: sintomas, tipos e quando não se espera

Redação Viver Bem 50 Atualizado a 24 de setembro de 2026 13 min de leitura

Resposta curta: prostatite é a inflamação da próstata, e o sintoma que a distingue é a dor — no períneo, acima do púbis, no pénis, nos testículos ou ao ejacular. A classificação NIH separa quatro tipos; o tipo III, crónico e sem bactéria, representa cerca de 90 a 95% dos casos e define-se por dor pélvica durante 3 meses ou mais. O tipo I, agudo e bacteriano, é uma urgência: febre com arrepios e dificuldade em urinar pedem atendimento no próprio dia. Quando há bactéria, as diretrizes europeias de 2025 indicam antibiótico durante 2 a 4 semanas na forma aguda e 4 a 6 semanas na crónica.

90–95%
dos casos são do tipo III, crónico
3 meses
de dor pélvica definem a forma crónica
2–4 semanas
de antibiótico no tipo I (EAU 2025)
4–6 semanas
de antibiótico no tipo II (EAU 2025)

Sinais de alarme: quando a prostatite é urgência

Febre alta com arrepios e dor pélvica ou dificuldade em urinar exigem atendimento hospitalar no mesmo dia. Em risco de vida, liga-se o 112 (INEM); em caso de dúvida sobre onde ir, a linha SNS 24 (808 24 24 24) faz a triagem a qualquer hora, segundo o portal do SNS.

Vá à urgência sem esperar se houver:

  • febre alta com arrepios, mal-estar intenso ou dores musculares
  • retenção urinária aguda — não conseguir urinar, com dor e bexiga distendida
  • sinais de sépsis: prostração, tensão baixa, respiração acelerada, sonolência ou confusão
  • febre acima de 38 °C com dor no flanco ou na zona lombar
  • febre que persiste apesar do antibiótico — pode indicar abcesso prostático

Consulta urgente, em 1–2 dias

  • dor pélvica ou perineal intensa com sintomas urinários de início súbito

A prostatite aguda bacteriana pode evoluir para infeção generalizada, como descreve o Manual MSD. Não é quadro para esperar pela consulta marcada nem para experimentar suplementos.

Prostatite é o mesmo que próstata aumentada?

Não: a prostatite é uma inflamação que dói e pode surgir aos 30 anos, enquanto a próstata aumentada (hiperplasia benigna) é um crescimento lento, ligado à idade, que não dá dor. Os sintomas urinários sobrepõem-se, e é por isso que as duas se confundem.

Prostatite Hiperplasia benigna (próstata aumentada)
O que é inflamação da glândula aumento gradual da glândula
Idade qualquer idade acompanha o envelhecimento
Dor sim — períneo, suprapúbica, pénis, testículos, ao ejacular não
Febre possível no tipo agudo não
Início pode ser súbito ao longo de anos
Sintomas urinários sim, variáveis sim, progressivos

A regra prática: dor e febre não fazem parte da próstata aumentada. Se dói, não é «a próstata a crescer com a idade» — é outra coisa, e merece avaliação.

A abordagem também muda: uma forma de prostatite pode precisar de antibiótico, a hiperplasia não. Para sintomas urinários sem dor que foram aparecendo ao longo de anos, o texto certo é o guia da próstata aumentada.

Quais são os quatro tipos de prostatite?

A classificação do National Institutes of Health (NIH) divide a prostatite em quatro tipos, e a edição de 2025 das diretrizes de infeções urológicas da Associação Europeia de Urologia (EAU) mantém-na. O tipo decide o tratamento.

Tipo NIH Nome O que o caracteriza Antibiótico (EAU 2025)
I Prostatite bacteriana aguda início súbito, febre, arrepios, dor ao urinar sim, 2 a 4 semanas
II Prostatite bacteriana crónica infeções urinárias repetidas pela mesma bactéria sim, 4 a 6 semanas
III Prostatite crónica / síndrome de dor pélvica crónica dor pélvica 3 meses ou mais, sem bactéria (IIIA inflamatória, IIIB não inflamatória) não é a base do tratamento
IV Prostatite inflamatória assintomática inflamação sem sintomas, achado casual em regra, não

Tipo I — prostatite bacteriana aguda

Começa de forma súbita: febre, arrepios, mal-estar, dor ao urinar, vontade frequente e urgente de urinar, dor no períneo e acima do púbis, por vezes retenção urinária aguda. É a forma menos comum e a mais grave.

Tipo II — prostatite bacteriana crónica

Caracteriza-se por infeções urinárias recorrentes causadas pela mesma bactéria, com períodos de acalmia entre episódios. Entre as crises pode haver sintomas urinários irritativos ou obstrutivos e dor pélvica persistente.

Tipo III — prostatite crónica / síndrome de dor pélvica crónica

É o tipo mais comum, com cerca de 90 a 95% de todos os casos. Divide-se em IIIA, inflamatório (há leucócitos nas secreções prostáticas ou na urina, mas nenhuma bactéria), e IIIB, não inflamatório (nem leucócitos nem bactéria).

Tipo IV — prostatite inflamatória assintomática

Há inflamação, mas não há sintomas. Costuma ser um achado ao investigar outra coisa — uma biópsia ou uma análise de fertilidade.

Quais são os sintomas iniciais da prostatite?

Os sintomas iniciais dependem do tipo: na forma aguda aparecem de repente, em horas, com febre, arrepios e ardor ao urinar; na forma crónica instalam-se devagar, com desconforto no períneo ou ao ejacular que vai e volta durante semanas.

Sinais de início súbito, típicos do tipo I:

  • febre e arrepios, com sensação de gripe
  • dor ou ardor ao urinar
  • vontade de urinar muitas vezes e com urgência
  • dor entre o escroto e o ânus (períneo) ou acima do púbis
  • jato fraco ou dificuldade em começar a urinar

Sinais de início gradual, mais próprios dos tipos II e III:

  • peso ou dor no períneo que piora sentado
  • dor na ponta do pénis, nos testículos ou na zona suprapúbica
  • dor durante ou depois da ejaculação
  • infeções urinárias que voltam depois de tratadas

O primeiro grupo é motivo para atendimento no próprio dia. O segundo é motivo para consulta marcada, não para esperar meses.

Quais são os sintomas da prostatite crónica?

A prostatite crónica define-se por dor pélvica durante 3 meses ou mais — perineal, suprapúbica, peniana, escrotal ou testicular — acompanhada de sintomas urinários variáveis e, com frequência, de disfunção sexual, incluindo dor ao ejacular.

Na forma bacteriana crónica (tipo II), o traço mais característico é a infeção urinária que regressa, causada sempre pelo mesmo agente. Na síndrome de dor pélvica crónica (tipo III), as análises não mostram infeção.

A ausência de bactéria é o que mais frustra quem tem este diagnóstico. Os sintomas são reais e persistentes, mas a urina sai «limpa». Isso não significa que seja imaginário: significa que a causa não é uma bactéria que um antibiótico possa eliminar.

A dor tende a ter fases melhores e piores. Anotar quando piora — depois de muito tempo sentado, de andar de bicicleta, de ejacular — ajuda o médico a orientar a investigação.

Como se distingue um tipo do outro?

O tipo distingue-se com análises de urina e, na suspeita de forma bacteriana crónica, com o teste de Meares-Stamey: amostras recolhidas antes e depois de uma massagem da próstata feita durante o toque retal, descrito na edição portuguesa do Manual MSD.

A versão clássica do teste recolhe quatro amostras, por esta ordem:

  1. urina do primeiro jato — representa a uretra
  2. urina do jato médio — representa a bexiga
  3. secreção da próstata, obtida pela massagem
  4. urina depois da massagem — arrasta secreções da próstata

Existe uma versão simplificada com dois frascos, que compara a urina antes e depois da massagem. Se a bactéria aparece sobretudo depois da massagem, a origem é a próstata. Quem faz esta avaliação é o urologista — a especialidade está explicada na página o que faz um urologista.

Antibiótico na prostatite: quando serve e quando não serve?

O antibiótico serve nas formas bacterianas — 2 a 4 semanas no tipo I e 4 a 6 semanas no tipo II, segundo as diretrizes EAU de infeções urológicas de 2025 — e não é a base do tratamento no tipo III, onde não há bactéria. É por isso que o diagnóstico do tipo vem antes de qualquer receita.

Há um ponto que raramente se explica. As diretrizes EAU colocam as fluoroquinolonas (a família da ciprofloxacina e da levofloxacina) como primeira escolha na prostatite bacteriana crónica, quando a bactéria é sensível. Mas a Agência Europeia do Medicamento (EMA), por decisão de 11 de março de 2019, determinou que estes antibióticos não devem ser usados na prostatite crónica não bacteriana, por causa de efeitos adversos raros mas duradouros.

Situação Fluoroquinolona Quem o diz
Prostatite bacteriana (tipo I ou II) com bactéria sensível uma das opções no tipo I; 1.ª escolha no tipo II EAU 2025
Prostatite crónica não bacteriana (tipo III) não deve ser usada EMA, 2019
Infeção urinária baixa recorrente, para prevenção não deve ser usada EMA, 2019

O mesmo antibiótico é adequado num tipo e desaconselhado noutro. A cultura de urina, e quando necessário o teste de Meares-Stamey, é o que decide de que lado da linha está cada caso. Se uma receita de fluoroquinolona surgir para dor pélvica crónica sem bactéria identificada, é legítimo perguntar ao médico qual foi a cultura que a justificou.

O que dizem os estudos sobre o tratamento da forma crónica?

A revisão Cochrane de 2019 (CD012552) concluiu que, na síndrome de dor pélvica crónica, antibióticos, alfabloqueadores e anti-inflamatórios dão no máximo uma redução pequena dos sintomas, com evidência de certeza baixa.

Intervenção O que a revisão Cochrane concluiu
Antibióticos redução modesta dos sintomas face ao placebo, certeza baixa
Alfabloqueadores efeito incerto; podem causar tonturas e descida da tensão
Anti-inflamatórios pequena redução dos sintomas, certeza baixa

Traduzindo: mesmo o tratamento com receita tem, neste quadro, efeito pequeno. Não é falta de tentativa. É um quadro em que a causa não está estabelecida, e sem alvo o tratamento dirige-se aos sintomas.

Daqui saem duas consequências práticas. Um suplemento que prometa resolver uma prostatite crónica promete mais do que os medicamentos conseguem demonstrar. E o acompanhamento médico continua a ser o caminho, porque um tipo II com bactéria identificada trata-se de forma diferente de um tipo IIIB.

Que bactérias causam a prostatite bacteriana?

As bactérias da prostatite são as mesmas das infeções urinárias: Escherichia coli, Klebsiella e Proteus. Isto explica porque a forma bacteriana surge tantas vezes associada a uma infeção urinária.

A inflamação da próstata pode também fazer subir o PSA durante semanas, o que assusta sem motivo. O que esse número significa está em PSA alto: leitura dos valores, e os limites por idade em que valores de PSA se consideram dentro do esperado.

Quais são os fatores de risco?

Para as formas bacterianas, os fatores descritos incluem:

  • infeção urinária prévia ou em curso
  • algália (cateter urinário)
  • traumatismo por ciclismo prolongado
  • infeção por VIH
  • uretrites por infeções sexualmente transmissíveis — gonorreia, clamídia

O ciclismo é muitas vezes subestimado: a pressão mantida sobre o períneo em percursos longos é um fator reconhecido.

Em que idades aparece a prostatite?

A prostatite atinge homens de todas as idades e é mais frequente abaixo dos 50 anos — o contrário do que muita gente assume. Ainda assim, o risco da forma aguda sobe com a idade: entre os 50 e os 59 anos a probabilidade de prostatite aguda é cerca de três vezes maior do que entre os 20 e os 39, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.

Onde procurar ajuda em Portugal?

Para sintomas sem sinais de alarme, o primeiro passo é o médico de família no centro de saúde, que pede as análises de urina e, se necessário, referencia para urologia no hospital da área (hoje integrados na mesma Unidade Local de Saúde, ULS).

Desde janeiro de 2026 esse pedido segue por via eletrónica, pelo sistema SINACC (Decreto-Lei n.º 12/2026), segundo a ACSS. A lei fixa prazos máximos para a primeira consulta hospitalar: 30 dias se o pedido for muito prioritário, 60 dias se prioritário e 120 dias se normal, conforme a Entidade Reguladora da Saúde.

No privado, a primeira consulta de urologia custa 120 € no Hospital Lusíadas (Doctoralia, setembro de 2026); na CUF Descobertas, a consulta de especialidade custa entre 104 e 125 € (preçário de fevereiro de 2026). O caminho completo — referenciação, prazos, ADSE — está em consulta de urologia: como marcar e quanto custa.

O que levar à consulta

Chegar preparado encurta a investigação:

  • onde dói exatamente e há quanto tempo — os 3 meses são o limiar do tipo III
  • se há dor ao ejacular
  • se houve febre e quando
  • quantas infeções urinárias já teve, com as análises de urina anteriores
  • se usa ou usou algália
  • se faz ciclismo com regularidade
  • que medicação toma, suplementos incluídos, e que antibióticos já fez

O que esta página faz e o que não faz

Aqui estão os sintomas de cada tipo de prostatite, os sinais que mandam para a urgência, a forma como o tipo se confirma e o que as diretrizes europeias de 2025 e a revisão Cochrane de 2019 dizem sobre o tratamento.

Aqui não está um diagnóstico nem uma receita. Saber se uma dor pélvica é prostatite, e de que tipo, exige análises e exame físico — é trabalho do médico de família ou do urologista.

Porque não indicamos antibióticos nem doses

Porque a escolha depende da cultura de urina e do tipo de prostatite, e porque o mesmo antibiótico que as diretrizes aceitam numa forma é desaconselhado pela EMA noutra. Uma lista de nomes e doses nesta página levaria alguém a pedir, ou a reaproveitar, o antibiótico errado para o seu caso.

Pela mesma razão não recomendamos suplementos para a prostatite. Os produtos «para a próstata» foram estudados nos sintomas urinários da hiperplasia benigna, não na inflamação.

Fontes utilizadas 14

  1. Manual MSD, edição profissional — Prostatite (classificação, sintomas por tipo) — https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-geniturin%C3%A1rios/doen%C3%A7a-prost%C3%A1tica-benigna/prostatite
  2. Manual MSD — Sistema de classificação da prostatite do consenso NIH — https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/table/sistema-de-classifica%C3%A7%C3%A3o-da-prostatite-do-consenso-do-national-institutes-of-health
  3. Manual MSD, edição pt-PT — Prostatite (teste de Meares-Stamey) — https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/dist%C3%BArbios-geniturin%C3%A1rios/doen%C3%A7a-prost%C3%A1tica-benigna/prostatite
  4. EAU Guidelines on Urological Infections, edição de 24.05.2025 (PDF) — https://d56bochluxqnz.cloudfront.net/documents/full-guideline/EAU-Guidelines-on-Urological-infections-2025_2025-05-24-110339_pxmf.pdf
  5. EAU — página das diretrizes de infeções urológicas — https://uroweb.org/guidelines/urological-infections
  6. EMA — Quinolonas e fluoroquinolonas, decisão de restrição de 11.03.2019 — https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/referrals/quinolone-fluoroquinolone-containing-medicinal-products
  7. Cochrane CD012552 — Intervenções farmacológicas para prostatite crónica/síndrome de dor pélvica crónica, 2019 — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD012552.pub2/full
  8. MD.Saúde — Prostatite (agentes e fatores de risco) — https://www.mdsaude.com/urologia/prostatite/
  9. Sociedade Brasileira de Urologia, secção de São Paulo — Prostatite (idade) — https://sbu-sp.org.br/publico/prostatite/
  10. SNS — Linhas de atendimento gerais (SNS 24 808 24 24 24, 112) — https://www.sns.gov.pt/sns-saude-mais/linhas-de-atendimento-gerais/
  11. ERS — Tempos Máximos de Resposta Garantidos — https://www.ers.pt/pt/utentes/perguntas-frequentes/faq/tempos-maximos-de-resposta-garantidos-tmrg/
  12. ACSS — Acesso a consulta e cirurgia (SINACC, Decreto-Lei n.º 12/2026) — https://www.acss.min-saude.pt/category/cidadaos/acesso/
  13. CUF — Preçário particular, 01.02.2026 (PDF) — https://www.cuf.pt/media/50915/download?inline
  14. Doctoralia — Primeira consulta de urologia, Hospital Lusíadas — https://www.doctoralia.com.pt/doencas/doencas-dos-genitais-masculinos/lisboa

Perguntas frequentes

  1. A prostatite tem cura?

    Depende do tipo. As formas bacterianas tratam-se com antibiótico dirigido durante várias semanas. O tipo III, o mais comum, tende a ser um quadro prolongado com fases melhores e piores, e o objetivo costuma ser controlar os sintomas.

  2. Quais são os primeiros sintomas de prostatite?

    Na forma aguda, febre com arrepios, ardor ao urinar, urgência e dor no períneo, que surgem em poucas horas. Na forma crónica, desconforto perineal ou dor ao ejacular que vai e volta durante semanas.

  3. A prostatite pode virar cancro?

    Não. São processos diferentes. A inflamação pode, no entanto, subir o PSA durante algum tempo, e é comum repetir a análise depois de tratada a infeção antes de tirar conclusões sobre esse valor.

  4. A prostatite é uma infeção sexualmente transmissível?

    Não em si mesma. Mas as uretrites por gonorreia ou clamídia estão entre os fatores de risco descritos para as formas bacterianas, e isso deve ser dito na consulta.

  5. Tive prostatite uma vez; vou ter outra?

    O tipo II define-se precisamente por infeções recorrentes causadas pela mesma bactéria. Se houve mais do que um episódio, isso deve constar na consulta, porque muda a categoria e a duração do tratamento.

  6. Quanto tempo dura uma prostatite?

    A forma aguda trata-se com 2 a 4 semanas de antibiótico, segundo as diretrizes EAU de 2025. A forma crónica define-se justamente por durar 3 meses ou mais, com períodos melhores e piores.